Ação da PM deixa um jovem morto em São José
Um jovem de 28 anos foi morto com um tiro durante uma ação da Polícia Militar nesta quinta-feira (12) em São José dos Campos (SP). De acordo com a família, o motoboy saiu de casa para buscar um jogo de vídeo game e foi alvejado a cerca de 100 metros de casa. Ele deixa dois [...]

Um jovem de 28 anos foi morto com um tiro durante uma ação da Polícia Militar nesta quinta-feira (12) em São José dos Campos (SP). De acordo com a família, o motoboy saiu de casa para buscar um jogo de vídeo game e foi alvejado a cerca de 100 metros de casa. Ele deixa dois filhos.
A ação aconteceu no bairro Jardim Americano, por volta de 1h. De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais faziam uma ronda no bairro e encontraram o jovem perto de um carro, o que levantou a suspeita de venda de drogas. Na versão da Polícia Militar, eles tentaram ainda abordar o jovem, mas ele teria posicionado a mão na cintura, o que levantou a suspeita de posse de uma arma e um dos agentes disparou.
Lelis Henrique Gadioli dos Santos era motoboy e trabalhava com entregas por aplicativo. Segundo o irmão da vítima, Leonardo Honório, depois do trabalho ele costumava jogar vídeo game e teria saído para buscar um jogo, quando instantes depois foi baleado.
“Ele chegou e pediu que eu esperasse para ele buscar um jogo. Eu fui colocar o celular para carregar e em seguida escutei a derrapagem de um carro e o disparo. Corri para a rua e encontrei ele no chão. Fui até ele e só deu tempo de colocar a cabeça no meu colo, ele deu um suspiro e morreu”.
O resgate chegou a ser acionado, mas quando chegou Lelis já estava morto. Ele foi atingido por um único disparo no peito. Na versão da polícia, depois da morte, eles encontraram na perícia com a vítima uma arma calibre 32 enferrujada e com a numeração raspada. A família nega a versão.
O irmão conta que assim que houve o disparo, os familiares e vizinhos se aproximaram do corpo e os agentes não fizeram perícia e não viram nenhuma arma sendo tirada do local.
“Eu só espero que a justiça seja feita. A gente é decente e sempre acreditou que a PM é uma instituição que protege e serve, mas como eles atiram em alguém sem chance de dizer nada? Queremos que quem errou, pague por isso”, comentou.
Não havia drogas com a vítima. A polícia pediu perícia para saber se ele estava sob efeito de drogas, mas a família nega que o jovem fosse usuário. Ele trabalhava como motoboy por aplicativo depois de ter ficado desempregado na pandemia e deixa dois filhos, de dois anos e três anos. Lelis também não tinha antecedentes criminais, segundo a Polícia Civil.
“Ele me inspirou a trabalhar e conquistar e terminou assim. Eu só quero justiça, para lembrar dele sempre sorrindo”, disse Leandro.
A arma usada pelos policiais foi apreendida para a perícia. A arma que estaria com Lelis também foi recolhida. O caso foi registrado como morte por intervenção policial, mas ainda é investigado.
O corpo da vítima foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de São José dos Campos. O horário de velório e enterro não foram divulgados.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que as versões das testemunhas e dos policiais militares foram colhidas e que foram pedidos os laudos necroscópico, toxicológico e residuográfico e que foi aberto um inquérito de apuração interna da PM.
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