Um projeto desenvolvido por alunos da Escola de Engenharia de Lorena (EEL-USP) está criando órteses ortopédicas impressas em 3D para crianças com deficiência nos pés, com o objetivo de reduzir custos e ampliar o acesso a esse tipo de equipamento, especialmente para famílias de baixa renda.
A iniciativa é conduzida por estudantes que integram o Núcleo de Lorena dos Engenheiros sem Fronteiras, grupo que atua em ações sociais ligadas à engenharia. O projeto começou a ser estruturado em 2022 e, desde então, vem passando por aprimoramentos técnicos, com foco em tornar o processo mais simples, rápido e acessível.
Primeira órtese entregue
A primeira órtese produzida pelo grupo foi entregue a uma criança de 9 anos, atendida pela Associação de Deficientes Físicos de Lorena (Adefil). Antes da confecção, os estudantes realizaram o mapeamento da perna do menino para garantir que o suporte fosse feito sob medida.
A pedido da criança, a órtese recebeu uma personalização com a imagem de um raio, estratégia que, segundo os alunos, contribui para estimular o uso contínuo do equipamento. Após a entrega, o grupo manteve contato com a família para acompanhar a adaptação e avaliar o conforto e a funcionalidade do dispositivo no dia a dia.
Impacto na qualidade de vida
A ausência de uma órtese adequada pode dificultar atividades básicas como andar, correr e brincar, impactando diretamente a qualidade de vida das crianças, especialmente durante o período de desenvolvimento físico e social. Como o crescimento exige a troca frequente desses equipamentos, os custos acabam sendo um obstáculo para muitas famílias.
Nesse contexto, a impressão em 3D surge como uma alternativa viável, permitindo ajustes personalizados e substituições com valores significativamente menores em comparação aos métodos tradicionais.
Inovação no processo
Um dos principais diferenciais do projeto está na forma de coleta das medidas para a criação do modelo em 3D. Os estudantes desenvolveram um método simples e de baixo custo, enquanto os processos convencionais costumam depender de equipamentos mais caros e complexos. Essa solução facilita a replicação do projeto em outros locais.
Reconhecimento acadêmico
Além do impacto social, a iniciativa tem caráter extensionista e envolve diferentes áreas do conhecimento, fortalecendo a relação entre universidade e comunidade. O projeto foi apresentado em um seminário de cultura e extensão da USP, onde foi reconhecido como uma boa prática nesse tipo de ação.
Próximos passos
O grupo segue pesquisando novos materiais que combinem resistência, flexibilidade e baixo custo. Também está nos planos a busca pela patente da técnica desenvolvida. A expectativa é ampliar o alcance da iniciativa e permitir que o modelo seja adotado em outras regiões do país, contribuindo para uma mobilidade mais inclusiva e acessível.








