Um estudo divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que os custos de uma eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam semelhantes aos impactos observados com o reajuste real do salário mínimo, o que sugere que o mercado de trabalho teria capacidade de absorver a medida.
De acordo com a pesquisa, a diminuição da jornada teria um custo inferior a 1% em setores de grande porte, como indústria e comércio. Já em atividades do setor de serviços, que demandam maior volume de mão de obra, os efeitos poderiam ser mais significativos, exigindo políticas públicas específicas para mitigar impactos.
Segundo o pesquisador do Ipea Felipe Pateo, a adoção de uma jornada geral de 40 horas semanais elevaria o custo do trabalhador celetista em 7,84%. No entanto, esse aumento teria peso reduzido quando analisado dentro do custo total das empresas.
“Quando a gente olha para a operação de grandes empresas na área de comércio e da indústria, vemos que o custo com trabalhadores representa, às vezes, menos de 10% do custo operacional. Há despesas elevadas com formação de estoques e investimentos em maquinário”, explicou Pateo.
O estudo reforça o debate sobre a redução da jornada de trabalho no país, ao apontar que, em setores com maior estrutura de capital, o impacto econômico da medida tende a ser relativamente limitado.









