Novo medicamento contra Alzheimer chega ao Brasil em junho e pode retardar avanço da doença

O Leqembi, novo medicamento aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento do Doença de Alzheimer, deve começar a ser disponibilizado no Brasil a partir de junho. Indicado para pacientes nos estágios iniciais da doença, o remédio representa um avanço importante ao atuar diretamente no processo biológico associado à degeneração cerebral.

Desenvolvido para combater o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro, o Leqembi difere dos tratamentos convencionais, que têm como principal objetivo aliviar sintomas. Estudos clínicos mostraram que o medicamento foi capaz de reduzir em 27% o declínio das funções cognitivas ao longo de 18 meses de acompanhamento.

Segundo o neurocientista Fernando Gomes, professor da Universidade de São Paulo (USP), a chegada do medicamento marca uma nova etapa no tratamento do Alzheimer por atuar diretamente nos mecanismos responsáveis pela progressão da doença.

Para iniciar o tratamento, é necessário confirmar a presença de biomarcadores específicos do Alzheimer por meio de exames especializados. O uso também exige monitoramento médico constante, já que podem ocorrer efeitos adversos, como inchaço cerebral e pequenas hemorragias.

A medicação é administrada por infusão intravenosa a cada duas semanas, em ambiente hospitalar. O custo mensal estimado varia entre R$ 8 mil e R$ 11 mil, dependendo da incidência de impostos estaduais. Até o momento, não há definição sobre cobertura pelos planos de saúde nem sobre eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde (Sistema Único de Saúde).

Especialistas ressaltam que o Leqembi não representa uma cura para o Alzheimer, mas pode retardar a progressão da doença e preservar por mais tempo a memória e outras funções cognitivas dos pacientes.

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