Golpistas usam prazo final do Imposto de Renda para aplicar fraudes com aplicativos falsos e links clonados

Com a proximidade do fim do prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda 2026, criminosos digitais intensificaram a aplicação de golpes virtuais envolvendo aplicativos falsos, páginas clonadas e mensagens fraudulentas em nome da Receita Federal.

Especialistas em cibersegurança identificaram, somente neste mês, cerca de dez aplicativos falsos que simulavam ferramentas oficiais da Receita. Um deles chegou a ultrapassar 16 mil downloads antes de ser removido das plataformas digitais.

Segundo a advogada especialista em Direito do Consumidor, Luana Carolina, os criminosos aproveitam justamente o clima de urgência vivido pelos contribuintes nos últimos dias do prazo para aumentar o número de vítimas.

“Os criminosos sabem que muitas pessoas deixam a declaração para os últimos dias e usam exatamente esse fator emocional para manipular a vítima. Eles criam mensagens alarmantes, simulam notificações oficiais e levam o contribuinte a agir sem verificar a autenticidade das informações”, explica.

Entre os golpes mais comuns estão aplicativos falsos que imitam o sistema da Receita Federal, além de mensagens enviadas por WhatsApp, SMS e e-mails alertando sobre supostas irregularidades no CPF ou pendências fiscais.

Os links direcionam as vítimas para páginas praticamente idênticas às oficiais, onde os usuários acabam inserindo dados pessoais, bancários e senhas.

Em situações mais graves, criminosos conseguem instalar programas de acesso remoto em celulares e computadores das vítimas, permitindo monitoramento das informações digitadas e até controle parcial do aparelho.

“Hoje, muitos golpes não se limitam apenas ao roubo de senha. Existem vírus capazes de capturar dados bancários, acessar documentos pessoais e até assumir o controle completo do aparelho da vítima”, alerta Dra. Luana.

A recomendação dos especialistas é acessar os serviços da Receita Federal exclusivamente pelos canais oficiais e evitar clicar em links recebidos por mensagens ou redes sociais.

Também é importante desconfiar de comunicações com tom de ameaça, cobrança imediata ou promessas de regularização rápida.

“Se houver dúvida, o ideal é entrar diretamente no portal oficial da Receita Federal ou procurar orientação especializada. Nenhum órgão público solicita senhas, tokens bancários ou dados sigilosos por WhatsApp ou SMS”, reforça a advogada.

A especialista destaca ainda que vítimas que sofrerem prejuízo financeiro podem buscar reparação judicial, principalmente em casos que envolvam falhas de segurança em bancos ou plataformas digitais.

“Dependendo do caso, é possível discutir judicialmente a responsabilidade de bancos, instituições financeiras e empresas envolvidas. Por isso, a vítima deve reunir provas, registrar boletim de ocorrência e buscar orientação jurídica o quanto antes”, afirma.

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