Desmatamento no Brasil tem menor índice da série histórica, diz Inpe

O desmatamento no Brasil registrou o menor índice de toda a série histórica, segundo novo balanço apresentado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados reúnem informações do Prodes, sistema oficial de medição anual da supressão de vegetação nativa, e do Deter, ferramenta de monitoramento rápido utilizada para orientar ações de fiscalização.

Considerando todos os biomas brasileiros, a área desmatada caiu mais de 20% em relação ao período anterior. O resultado é o menor registrado desde 2016, quando teve início a série histórica consolidada, e representa a segunda redução consecutiva no acumulado nacional.

Entre os biomas, o Pantanal apresentou a maior queda, com redução de 65% no desmatamento. O resultado ocorre após o bioma ter sido fortemente afetado pelos grandes incêndios florestais registrados em 2024.

Na Mata Atlântica, a redução foi de 15%, com cerca de 400 quilômetros quadrados de vegetação nativa suprimida. A Amazônia apresentou queda estimada entre 15% e 16%, com mais de 5 mil quilômetros quadrados desmatados no período.

O Cerrado registrou redução de 11%, após quatro anos consecutivos de alta. Já a Caatinga, depois de três aumentos seguidos, acumula agora duas quedas consecutivas, indicando, segundo o Inpe, uma possível mudança de tendência.

Alertas mais recentes

O balanço também apresentou dados atualizados do Deter, sistema que identifica áreas com sinais de desmatamento em curto prazo e auxilia órgãos como o Ibama na definição de áreas prioritárias para fiscalização.

Na Amazônia, os alertas de desmatamento caíram 36,9% entre agosto de 2025 e julho de 2026, totalizando 2.874 quilômetros quadrados. Segundo o Inpe, é o menor valor registrado pelo sistema desde 2016.

No Cerrado, a redução foi de 7,8%, com 5.119 quilômetros quadrados sob alerta. É a segunda queda consecutiva registrada pelo Deter no bioma.

O levantamento aponta ainda diferenças na ocupação das áreas desmatadas. Na Amazônia, a maior parte está localizada em propriedades privadas, enquanto 22% das áreas não possuem informação disponível sobre a situação fundiária. No Cerrado, a predominância também ocorre em propriedades privadas, com áreas de floresta pública representando cerca de 14% do total.

Segundo representantes do Inpe, os resultados refletem tanto a redução das áreas desmatadas quanto o avanço das tecnologias de monitoramento ambiental. A evolução dos sistemas permite identificar alterações na vegetação com maior rapidez e precisão, contribuindo para direcionar as ações de fiscalização em todo o país.

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