Brasil registra recorde de feminicídios em 2025, com 1.568 mulheres assassinadas

O Brasil atingiu, em 2025, o maior número de feminicídios da última década. Foram 1.568 mulheres assassinadas em razão da condição de gênero, alta de 4,7% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.492 casos.

Os dados foram divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública às vésperas de 8 de março, Dia Internacional das Mulheres — data historicamente ligada à luta por direitos e ao enfrentamento da violência de gênero.

Escalada ao longo da década

A série histórica começou em 2015, ano em que o feminicídio foi tipificado no Código Penal brasileiro por meio da Lei do Feminicídio. Naquele ano, foram registrados 449 casos. Em 2016, o número praticamente dobrou, alcançando 929 vítimas.

Desde então, os registros permaneceram em patamar elevado:

  • 1.075 casos em 2017

  • 1.229 em 2018

  • 1.330 em 2019

  • 1.354 em 2020

  • 1.347 em 2021

  • 1.455 em 2022

  • 1.475 em 2023

  • 1.492 em 2024

  • 1.568 em 2025

Desde março de 2015, quando a legislação passou a classificar como feminicídio os assassinatos motivados por violência doméstica, familiar ou por menosprezo à condição de mulher, ao menos 13.703 mulheres foram mortas sob essa tipificação no país.

Reconhecimento maior, violência persistente

De acordo com o estudo, parte do crescimento ao longo dos anos pode estar relacionada ao aprimoramento na identificação e classificação dos casos pelas autoridades.

O percentual de feminicídios em relação ao total de homicídios dolosos de mulheres subiu de 9,4% em 2015 para 40,3% em 2024, indicando maior reconhecimento institucional do fenômeno. Ainda assim, o relatório aponta diferenças significativas entre os estados quanto à qualidade dos registros.

Nos últimos cinco anos, o aumento acumulado foi de 14,5%. Entre 2021 e 2022, a alta foi de 7,6%. De 2022 a 2024, houve relativa estabilidade, com variações próximas de 1% ao ano, até o novo salto registrado em 2025.

Base dos dados

A análise foi elaborada a partir de boletins de ocorrência registrados pelas polícias civis e de informações fornecidas pelas Secretarias estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social.

O levantamento reforça o desafio persistente no enfrentamento à violência de gênero no país, especialmente em um momento simbólico como o Dia Internacional das Mulheres, quando se intensificam debates sobre políticas públicas de proteção e prevenção.

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