Nova NR-1 entra em vigor e empresas passam a responder por riscos à saúde mental no trabalho

Em vigor desde terça-feira (26) a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), passa a incluir oficialmente os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas em todo o país.

Com a mudança, situações como assédio moral, metas abusivas, jornadas excessivas, pressão constante e sobrecarga de trabalho passam a integrar as obrigações de prevenção e fiscalização relacionadas à saúde e segurança do trabalhador.

A nova regra determina que fatores ligados à organização do trabalho sejam avaliados juntamente com riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes já previstos na legislação trabalhista.

Fiscalização poderá ocorrer mesmo sem afastamentos

Segundo o Ministério do Trabalho, as fiscalizações poderão ocorrer mesmo sem registros formais de afastamento médico, a partir de denúncias, dados da Previdência Social e monitoramento de setores com maior incidência de adoecimento mental.

Dados citados pelo governo apontam que o Brasil registrou mais de 540 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025.

Já a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que mais de 840 mil pessoas morram anualmente no mundo em decorrência de problemas relacionados a riscos psicossociais no ambiente profissional.

Empresas terão de adotar medidas preventivas

Com a atualização da NR-1, as empresas deverão identificar e registrar os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), além de implementar planos de ação voltados à redução dos impactos na saúde mental dos trabalhadores.

Entre as medidas previstas estão:

  • revisão de metas e cobranças;
  • reorganização de jornadas;
  • criação de políticas contra assédio;
  • monitoramento contínuo das condições de trabalho;
  • mudanças na gestão de equipes e relações internas.

Durante as inspeções, auditores-fiscais poderão analisar documentos internos, canais de denúncia, jornadas de trabalho e relações entre chefias e funcionários.

Empresas que deixarem de identificar os riscos ou não adotarem medidas corretivas poderão sofrer multas e sanções administrativas.

Primeiros 90 dias terão caráter orientativo

O Ministério do Trabalho informou que, nos primeiros 90 dias de vigência da nova norma, a fiscalização terá foco educativo e orientativo.

Neste período, a prioridade será notificar empresas e orientar adequações antes da aplicação de punições mais severas.

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