Neste 6 de junho, data em que é celebrado o Dia Nacional do Teste do Pezinho, São José dos Campos marca um avanço importante na saúde infantil. A partir desta sexta-feira, a rede municipal passa a incluir a Toxoplasmose Congênita no painel de doenças investigadas pelo exame, ampliando de seis para sete o número de condições rastreadas nos recém-nascidos.
O Teste do Pezinho é realizado em 100% dos bebês nascidos na Maternidade do Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence e representa uma das principais estratégias para o diagnóstico precoce de doenças genéticas, metabólicas e infecciosas que podem comprometer seriamente o desenvolvimento infantil quando não identificadas a tempo.
Simples e rápido, o exame deve ser feito preferencialmente entre o segundo e o quinto dia de vida do bebê e possibilita o início precoce do tratamento, reduzindo riscos de sequelas graves e permanentes.
Atendimento garante cobertura total dos recém-nascidos
Com uma média de aproximadamente 450 nascimentos por mês, a maternidade conta com o suporte do Programa Hospitalar Domiciliar (PHD) para assegurar que todos os bebês realizem a triagem neonatal.
Quando o recém-nascido recebe alta antes de completar 48 horas de vida, a equipe do programa vai até a residência da família para realizar a coleta do exame. Em 2025, cerca de 17% dos bebês passaram pelo procedimento em casa após a alta precoce.
A iniciativa garante que nenhum recém-nascido fique sem acesso ao exame, independentemente do tempo de permanência na unidade hospitalar.
Diagnóstico precoce salva vidas
Integrante do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), o Teste do Pezinho já permite identificar doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, deficiência de biotinidase, hiperplasia adrenal congênita e doença falciforme, entre outras hemoglobinopatias.
Agora, com a inclusão da Toxoplasmose Congênita, o município amplia ainda mais a proteção oferecida aos recém-nascidos, seguindo as diretrizes estabelecidas pela Lei Federal nº 14.154/2021, que prevê a expansão gradual da triagem neonatal em todo o país.
A detecção precoce dessas doenças permite iniciar rapidamente tratamentos capazes de evitar complicações como deficiência intelectual, microcefalia, convulsões, crises epilépticas, atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento pulmonar e até mesmo o óbito.
Para a médica coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Municipal, Flavia P. Prudente de Morais, a ampliação representa um dos avanços mais importantes da saúde neonatal nas últimas décadas.
Segundo a especialista, a legislação trouxe uma visão moderna para a triagem neonatal ao ampliar gradativamente o rastreamento de doenças raras e genéticas, aumentando as chances de diagnóstico precoce, tratamento adequado e melhor qualidade de vida para as crianças.
Processo rigoroso e acompanhamento especializado
A coleta do exame é feita por meio de seis gotas de sangue retiradas do calcanhar do bebê e depositadas em um formulário específico. Após secagem adequada, as amostras são encaminhadas ao Instituto Jô Clemente, responsável pela análise laboratorial no Estado de São Paulo.
Os resultados ficam disponíveis em cerca de 30 dias e podem ser acessados pelos pais por meio de um QR Code entregue no momento da coleta.
No Hospital Municipal, o processo inclui uma rigorosa conferência das amostras, dos dados cadastrais e dos laudos emitidos pelo laboratório. A equipe de enfermagem também orienta as famílias sobre a importância do exame e esclarece dúvidas relacionadas ao procedimento.
Nos casos em que alguma alteração é identificada, os recém-nascidos são encaminhados para acompanhamento especializado pelo Projeto Casulo, da rede municipal de saúde.
Gerenciado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), o Hospital Municipal mantém uma estrutura de monitoramento que garante a segurança, a rastreabilidade e a qualidade de todas as etapas do Teste do Pezinho, reforçando o compromisso com a saúde e o desenvolvimento das crianças desde os primeiros dias de vida.









