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INPE e Cemaden alertam para chuva intensa, seca e calor durante El Niño em 2026

Pesquisadores se reuniram em São José dos Campos e destacaram possíveis mudanças no regime de chuvas e ocorrência de eventos extremos; efeitos regionais ainda têm incertezas

Jornalista Helen Camargo3 min de leitura
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Reprodução

O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) apresentaram nesta terça-feira (15), em São José dos Campos, as perspectivas para os efeitos do El Niño no Brasil em 2026.

Os pesquisadores alertaram para possíveis alterações na distribuição das chuvas, períodos de seca, ondas de calor e ocorrência de eventos extremos. Apesar da intensidade prevista para o fenômeno, os especialistas ressaltaram que não é possível determinar com precisão quais serão os impactos em cada região do país.

A atuação de outros oceanos e as condições da atmosfera também influenciam o comportamento do clima. Por isso, a intensidade do El Niño, isoladamente, não permite afirmar que o cenário será igual ao observado em episódios anteriores.

Sul pode ter mais chuva; Norte e Nordeste exigem atenção

A tendência mais conhecida associada ao fenômeno aponta para chuvas acima da média no Sul e condições mais secas no Norte e Nordeste.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a previsão indica maior alternância entre períodos de chuva intensa e ondas de calor.

O Cemaden também chamou atenção para a situação dos rios da Região Norte. Em agosto, diversos pontos apresentavam níveis abaixo do esperado, e os pesquisadores indicaram possibilidade de agravamento em algumas áreas nos meses seguintes.

No Nordeste, a situação dos reservatórios também preocupa. Segundo os dados apresentados no encontro, 62% dos reservatórios monitorados estavam com menos de 10% de água. Pernambuco foi citado entre os estados que precisam de acompanhamento especial.

Sudeste pode ter períodos de chuva intensa e calor

Para o Sudeste, os pesquisadores destacaram a possibilidade de alternância entre períodos de chuva intensa e ondas de calor.

Os episódios de chuva podem aumentar o risco de inundações, enxurradas e deslizamentos em áreas vulneráveis. Ao mesmo tempo, períodos de calor intenso também representam riscos, principalmente para pessoas mais vulneráveis.

No Sul, embora a tendência seja de aumento das chuvas, os especialistas ressaltaram que isso não significa necessariamente a repetição de eventos extremos registrados em anos anteriores, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.

O comportamento do El Niño pode variar dentro da própria região e ao longo do período analisado.

Previsões podem mudar

Os pesquisadores reforçaram que eventos climáticos específicos não devem ser automaticamente atribuídos ao El Niño. A análise precisa considerar o período, as condições atmosféricas e oceânicas e os dados mais recentes disponíveis.

As previsões também são atualizadas conforme novos dados são incorporados aos modelos meteorológicos e climáticos.

O Cemaden mantém monitoramento permanente e emite alertas relacionados a riscos como inundações, enxurradas e movimentos de massa, incluindo deslizamentos.

Mudanças climáticas exigem planejamento

Além das perspectivas para o El Niño em 2026, o encontro discutiu as mudanças observadas no clima brasileiro em uma escala de longo prazo.

Os pesquisadores destacaram tendências de aumento das temperaturas e alterações nos padrões de chuva, reforçando a necessidade de planejamento e adaptação climática por parte das cidades.

Entre as medidas defendidas estão a inclusão dos riscos climáticos no planejamento urbano e nos planos diretores municipais, além da realização periódica de encontros para atualizar informações sobre as condições climáticas e os riscos associados.

INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Cemaden – Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais

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