Pular para o conteúdo
Agora
Região

Jacareí registra R$ 7,2 milhões em prejuízos com golpes; veja como se proteger

Polícia Civil contabilizou cerca de 2.200 casos de estelionato entre janeiro e agosto; idosos estão entre as principais vítimas, mas golpes também atingem jovens e adultos

Jornalista Helen Camargo3 min de leitura
Compartilhar
Divulgação / PMJ

Moradores de Jacareí perderam mais de R$ 7,2 milhões em golpes registrados nos oito primeiros meses de 2026. Segundo levantamento da Polícia Civil do Estado de São Paulo divulgado pela Prefeitura, foram contabilizados R$ 7.277.141,56 em prejuízos entre janeiro e agosto.

No período, foram registrados cerca de 2.200 casos de estelionato no município. Entre as ocorrências mais frequentes estão os golpes digitais, que têm os idosos entre as principais vítimas. A Polícia Civil, no entanto, alerta que pessoas de todas as idades podem ser alvo dos criminosos.

Além de reforçar os cuidados antes de realizar transferências ou fornecer informações pessoais, as autoridades recomendam o uso de ferramentas disponibilizadas pelo Banco Central para acompanhar e proteger a vida financeira.

Ferramentas que ajudam a evitar golpes

BC PROTEGE+

O serviço do Banco Central permite informar às instituições financeiras que o consumidor não deseja abrir novas contas ou ser incluído como titular ou representante em contas de terceiros.

A proteção pode ser ativada pelo Meu BC, utilizando uma conta gov.br prata ou ouro com verificação em duas etapas habilitada.

Acesse o Meu BC

MED do Pix

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) pode ser acionado em casos de fraude envolvendo Pix. A solicitação deve ser feita à instituição financeira em até 80 dias após a transação.

Depois da reclamação, o banco avalia o caso e, quando a situação se enquadra no mecanismo, os recursos disponíveis na conta do recebedor podem ser bloqueados para análise. Em caso de confirmação de fraude, a devolução pode ocorrer integral ou parcialmente, conforme a disponibilidade de recursos.

Registrato

O Registrato, também do Banco Central, permite consultar informações financeiras, como contas bancárias, empréstimos e chaves Pix cadastradas.

A ferramenta pode ajudar o consumidor a identificar contas ou operações que não reconhece e acompanhar sua situação financeira.

Consulte o Registrato

Veja os golpes mais comuns

Falso parente

O criminoso se passa por um familiar e afirma ter trocado de número de telefone. Em seguida, pede dinheiro com urgência para pagar uma conta ou resolver algum problema.

A orientação é não fazer transferências antes de confirmar a identidade do familiar por ligação, chamada de vídeo ou contato com outra pessoa da família.

Falso advogado

O golpista obtém informações sobre processos judiciais e entra em contato afirmando que a vítima ganhou uma ação. Para liberar o suposto dinheiro, pede pagamentos de taxas ou depósitos via Pix.

Também podem ser utilizadas chamadas de vídeo com pessoas que se passam por juízes ou promotores. A recomendação é confirmar qualquer informação diretamente com o advogado e pelos canais já conhecidos.

Golpe da triangulação

O criminoso copia o anúncio de um veículo, celular, imóvel ou outro produto e republica o item por um preço menor. Ele se coloca como intermediário entre comprador e vendedor e orienta os dois a não conversarem sobre valores.

Na hora do pagamento, o dinheiro vai para a conta do golpista.

A orientação é que comprador e vendedor conversem diretamente sobre todos os detalhes da negociação e desconfiem de intermediários desconhecidos, pedidos de sigilo e preços muito abaixo do mercado.

Falso anúncio de produtos

Produtos como celulares, televisores e eletrodomésticos são anunciados por valores muito inferiores aos praticados no mercado. Depois que recebe o pagamento, o criminoso desaparece.

A recomendação é desconfiar de ofertas muito abaixo do preço normal, verificar o produto pessoalmente quando possível e utilizar plataformas que ofereçam proteção ao comprador.

Falso gerente de banco

O criminoso se apresenta como funcionário da instituição financeira e afirma que houve uma compra suspeita, invasão da conta ou clonagem do cartão.

Em seguida, solicita senhas, códigos de autenticação ou pede que a vítima faça uma transferência para uma suposta conta segura.

Bancos não pedem senhas, tokens ou códigos de autenticação por telefone, nem orientam clientes a transferir dinheiro para outra conta como forma de proteção. Em caso de dúvida, encerre a ligação e procure o banco pelos canais oficiais.

Golpe envolvendo menor de idade

O criminoso inicia uma conversa pela internet, muitas vezes utilizando um perfil falso, e solicita ou recebe imagens íntimas. Depois, outra pessoa entra em contato afirmando ser responsável pela suposta vítima e ameaça denunciar ou expor quem enviou as imagens.

A orientação é não fazer qualquer pagamento. Mensagens, perfis, números de telefone e comprovantes devem ser preservados para eventual investigação.

Site falso

Sites que imitam lojas conhecidas oferecem produtos por preços muito abaixo do mercado. Depois do pagamento, a mercadoria não é entregue.

Antes de comprar, é importante conferir a URL, a reputação da empresa e o tempo de existência do site. Também é recomendável utilizar formas de pagamento que ofereçam mecanismos de proteção ao consumidor.

Taxa para conseguir emprego ou serviço

Os criminosos anunciam vagas, concursos ou serviços e informam que a vítima precisa pagar uma taxa para garantir a contratação.

A recomendação é desconfiar de qualquer oportunidade que exija pagamento antecipado para conseguir emprego ou contratar um serviço.

Falsos débitos e multas

A vítima recebe uma mensagem ou ligação sobre uma suposta dívida, multa ou imposto. O criminoso envia boleto, QR Code de Pix ou direciona a pessoa para um site falso.

Antes de pagar, é fundamental consultar a existência do débito diretamente nos canais oficiais da instituição.

Investimentos milagrosos

Os criminosos prometem ganhos rápidos, rendimentos elevados e, muitas vezes, lucro garantido ou sem risco.

Em alguns esquemas, o dinheiro dos novos participantes é usado para pagar os primeiros integrantes, até que a entrada de novos investidores diminua e o sistema entre em colapso.

A orientação é desconfiar de promessas de lucro garantido ou muito acima dos rendimentos oferecidos por instituições financeiras reconhecidas.

O que fazer ao perceber que caiu em um golpe?

A primeira orientação é não realizar novos pagamentos, mesmo que o criminoso faça novas ameaças ou prometa devolver o dinheiro.

Também é importante guardar conversas, números de telefone, e-mails, perfis, anúncios, comprovantes de pagamento e demais documentos relacionados ao golpe. A vítima deve procurar a instituição financeira pelos canais oficiais quando houver movimentação bancária e registrar a ocorrência policial.

Em casos envolvendo Pix, a solicitação do mecanismo de devolução deve ser feita diretamente à instituição financeira, observando os prazos e critérios aplicáveis.

    Leia também