Morre o jornalista, escritor e poeta Zé Guilherme, referência da imprensa e da cultura do Vale do Paraíba

A imprensa e a cultura do Vale do Paraíba perderam, nesta terça-feira (14), uma de suas maiores referências. Morreu, aos 67 anos, o jornalista, escritor, poeta e artista plástico José Guilherme Rodrigues Ferreira, conhecido por colegas, amigos e leitores como Zé Guilherme.

Dono de uma trajetória marcada pelo talento, pela sensibilidade e pelo compromisso com o jornalismo, Zé Guilherme deixa um legado que ultrapassa as redações. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, participou da formação de dezenas de jornalistas que hoje atuam em importantes veículos de comunicação da região e do país, tornando-se uma referência para diferentes gerações de profissionais.

Formado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), construiu uma carreira sólida em alguns dos principais veículos da imprensa brasileira. Trabalhou em O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, Agência Estado, Rede Globo, Jornal da USP e Diário do Comércio, exercendo funções como repórter, editor, chefe de reportagem, produtor, diagramador e editor-chefe.

Nos últimos anos, atuava como diretor de Jornalismo e colunista do portal SPRioMais, onde seguia produzindo reportagens e artigos sobre cultura, história e o cotidiano da região.

Embora tenha nascido em Botucatu, fez de São José dos Campos sua cidade desde o fim da década de 1970. Morador do Jardim das Indústrias, compartilhava com frequência sua paixão pelos livros, pela gastronomia, pelos vinhos e pelas viagens, temas que também marcaram sua produção literária.

Produção literária e artística

Paralelamente ao jornalismo, Zé Guilherme desenvolveu uma reconhecida carreira como escritor, poeta, pesquisador e artista plástico. Publicou obras dedicadas à memória, à história, à aviação, à gastronomia e às cidades brasileiras.

Entre seus principais livros estão “São José dos Campos, várias rotas, um destino” (2024), “Asas pra que te quero – Instituto Tecnológico de Aeronáutica 1950-2020” (2022), “O almofariz de Deméter” (2020) e “Vinhos no mar azul” (2009), obra premiada na França com o Best World Cookbook Awards, um dos mais importantes reconhecimentos internacionais da literatura gastronômica.

Sua publicação mais recente, “LOCI”, reúne poemas escritos ao longo de décadas e sintetiza parte significativa de sua produção poética e artística.

Um mestre de gerações

Mais do que um jornalista experiente, Zé Guilherme era reconhecido pela generosidade com que compartilhava conhecimento. Colegas de profissão e ex-alunos destacam sua disposição permanente para orientar novos profissionais, incentivar a leitura, estimular a curiosidade intelectual e defender um jornalismo ético, crítico e comprometido com a informação de qualidade.

Seu legado permanece vivo nas redações, nas bibliotecas, nas salas de aula e na memória daqueles que tiveram a oportunidade de aprender com seu trabalho e sua amizade.

Com uma carreira que transitou entre o jornalismo, a literatura, a arte e a pesquisa histórica, José Guilherme Rodrigues Ferreira deixa uma obra consistente e uma contribuição inestimável para a comunicação e a cultura do Vale do Paraíba e do Brasil.

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